Um homem vestido de branco. Uma buzina. Uma ave que já não existe. E um saco cheio de memórias.
O animal extinto
Torda-grande
Pinguinus impennisParece um pinguim. Anda como um pinguim. Nada maravilhosamente bem. Mas… não era um pinguim.
Pertencia à família dos alcídeos, aves marinhas do hemisfério norte. Era preta e branca, tinha asas pequenas, não voava e possuía um forte bico marcado por sulcos.
Foram encontrados restos desta ave na Gruta da Figueira Brava e na Gruta da Furninha, em Peniche. A perseguição humana contribuiu para a sua extinção no século XIX.
Sabias que…?
O nome científico pode enganar. A torda-grande pertence a um grupo diferente dos pinguins do hemisfério sul.
Vestígios da torda-grande em Portugal ↗Uma memória da cidade
O Senhor Batatinha
Chamava-se José Alves Leocádio. Nasceu em Santiago de Figueiró, em Amarante, e mudou-se para o Porto quando tinha oito anos. Aos doze já trabalhava como vendedor ambulante.
Durante cerca de setenta anos, foi uma presença familiar nas praias da Foz e de Matosinhos. Vestia-se de branco, levava as batatas e fazia-se anunciar com uma buzina.
Depois vinha o pregão: “Olha a batatinha frita!”
Vendia batatas fritas à inglesa, com ou sem pimenta. Morreu em 12 de março de 2024, aos 82 anos. Mas há pessoas que continuam a fazer parte de um lugar.
Recordar o Senhor Batatinha ↗A aventura começa…
PÓÓÓÓ!
Sol sobre a Foz. O mar bate nas rochas. O Senhor Batatinha levanta a buzina. As primeiras pessoas olham.
Mas uma batatinha salta do saco. Depois outra. E outra. Todas têm pequenos olhos. Todas estão muito felizes. E todas começam a fugir pela marginal.
O Senhor Batatinha fica imóvel. A torda olha para ele. Ele olha para a torda. Há apenas uma solução. Abrem juntos o enorme saco.
— Vamos apanhá-las!
A torda nunca conheceu o Senhor Batatinha. Nunca comprou batatas na praia. E certamente nunca segurou um saco de juta. Até hoje.
Começa a missão mais importante da sua existência: apanhar batatas. Não para comer. Supostamente.
Como jogar
Arrasta o saco com o dedo ou o rato; no teclado, usa ← e →. Apanha 70 batatinhas — uma homenagem simbólica às cerca de sete décadas do Senhor Batatinha nas praias.
Uma concha abranda o saco. A bola de praia salta de volta. Um peixinho distrai a torda: toca nela à direita do saco, ou usa Enter, para a chamar. Quando vier uma onda, desliza para cima ou usa ↑ para levantar o saco.
A batatinha-coração dá uma proteção, a dourada vale cinco, a sonolenta cai devagar e a supersónica cai muito depressa. Quando a barra da buzina encher, toca nela ou usa H: durante alguns segundos, as batatinhas são atraídas para o saco.