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Ellie, Nanu e tu

Sonhos Desenhados

Ellie e Nanu descobrem juntos o livro de Sonhos Desenhados

Um livro em branco. Um rei furioso. E uma aventura que precisa dos teus desenhos.

Primeiro, entra na história. Podes lê-la ou ouvir a narração. No fim, Ellie e Nanu vão precisar da tua ajuda para encher o livro.

Os livros da biblioteca escondida
Parte 1 de 11

Uma história muito, muito interessante

Vou-vos contar uma história inesquecível, muito, muito, muito interessante e única. Nunca ouviram uma história tão incrível e maravilhosa como a minha! É a história da minha vida. Tudo começou quando eu era um bebezinho muito pequenino. Era um bebé muito lindo, fofinho, gorducho e tão querido…

— Não te queremos ouvir. Essa história não presta. Queremos outra história — protestaram as crianças que escutavam a história.

— Está bem. Vou contar outra história. Esta história chama-se: Sonhos Desenhados … — disse o narrador.

Tudo se passa numa biblioteca escondida, secreta, perdida numa velha casa de uma rua esquecida. Dentro das velhas paredes daquela casa, encontravam-se livros de todos os tamanhos, de todos os tipos. Livros pequeninos, livros gigantescos, histórias de encantar, contos, fábulas, enciclopédias, mapas, livros de imagens, poesias,… Todos os livros que alguma vez foram escritos estavam lá guardados. Mas existia um livro muito especial. Um livro que não tinha uma única palavra escrita. Todas as páginas desse livro estavam em branco. Mas, uma vez, em cada cem anos, esse livro resolvia viajar, pois queria deixar as paredes bolorentas da biblioteca.

Ellie impede que um livro seja usado como fralda
Parte 2 de 11

Um livro não é uma fralda

Estava cansado do pó das prateleiras em que esteve fechado durante cem anos e resolveu experimentar uma novidade: Ir passear ao centro comercial. Mas todos passavam e ninguém reparava nele. Estavam todos preocupados, apressados, correndo de um lado para o outro, ocupados em compras e em conversar.

Isabel passeava com o seu bebé o Pedrinho, um gorducho menino de sete meses e sete dias que não parava de chorar e berrar. Tinha a fralda suja e cheirava muito mal. Procurou na mala, na carteira, nos sacos… Mas não tinha fraldas. O que fazer? Olhou para o lado e viu um livro esquecido. E pensou: Vou fazer uma fralda com uma folha. O livro ficou assustado. Será que iria ser rasgado aos bocadinhos? Será que iria perder uma das suas lindas folhas? Isabel pegou no livro. Ia começar a rasgar uma folha, quando Ellie, que ia a passar com Nanu, a impediu.

— Não faça isso. Isto é um livro! — exclamou Ellie, indignada.

— E??? Um livro não serve para nada. Não faz falta — respondeu Isabel.

— Um livro serve para ler. Não é uma fralda — afirmou Ellie.

Nanu espreitou o bebé e recuou dois passos.

— E acho que uma folha não chegava.

Ellie e Nanu descobrem o livro em branco
Parte 3 de 11

Um livro sem palavras

O livro foi salvo por Ellie, uma linda menina que adorava ler. Ela levou o livro para casa para o ler à noite. Nanu foi com ela. Preparou-se então para se deitar e observou o livro. Não tinha título, nem nenhuma imagem na capa. Abriu-o e ouviu-se, nesse instante, um trovão e surgiu uma enorme tempestade. O livro estava completamente vazio. Não tinha imagens, nem uma única palavra escrita. Que livro esquisito, pensou. Um livro sem palavras, nem imagens, não é um livro. Mas… Se calhar… E resolveu olhar com mais cuidado para as páginas em branco. Olhou, durante muito tempo, para cada página, para cada folha.

Nanu espreitou por cima do livro.

— Ainda estás na mesma página?

— Já vou noutra.

— Como é que sabes?

Ellie voltou à página anterior para confirmar. Era exatamente igual.

Continuaram a olhar até que Ellie adormeceu abraçada ao livro. Nanu adormeceu encostado a ela.

Ellie e Nanu perante o rei robot
Parte 4 de 11

O rei robot

O livro cresceu e tornou-se do tamanho de um castelo. E, com Ellie e Nanu nas suas páginas, voou para muito, muito, muito longe. Pousou delicadamente num campo repleto de flores e de erva muito fresca e suculenta. Ellie acordou e viu que ela e Nanu estavam rodeados por quatro robots que não entendiam nada do que ela dizia. Era como se ela falasse chinês.

— Se calhar tens de falar mais devagar — sugeriu Nanu.

Ellie tentou.

Os robots empurraram-nos mais depressa.

Levaram-nos ou melhor, empurraram-nos para uma fortaleza gigantesca, onde estava um velho rei robot com uma cara muito séria.

— Já se passaram 100 anos? Quem és tu? — perguntou zangado o velho rei robot.

— Eu sou Ellie e este é o Nanu. Onde estamos? — respondeu Ellie.

— Cala-te. Aqui quem faz perguntas sou eu. És uma humana, uma coisinha insignificante. O livro não desiste, não para de tentar. O que sabes fazer? Uma criança, realmente… Isto vai ter piada. Tragam a princesa real.

— E ele? — perguntou um dos robots, apontando para Nanu.

O rei olhou para Nanu.

— Fica também.

— Eu nem tinha dito nada — murmurou Nanu.

A princesa entrou. Era simplesmente bela e encantadora.

— Esta é a minha filha… E até ao amanhecer, tens de fazer um retrato que mostre a sua beleza única e encantadora. Se tu fizeres um desenho que seja adequado, podes voltar para casa. Se não conseguires, vais ser a nova atração do nosso jardim zoológico. Estou ansioso por ver o teu desenho — disse o velho rei robot, despedindo-se com uma gargalhada maléfica.

Ellie nunca teve grande habilidade para desenhar. Mas não desistiu e tentou.

Nanu ficou ao lado dela a observar a princesa. Inclinou a cabeça para um lado. Depois para o outro.

— Não te mexas tanto — pediu Ellie.

— Estou a ver se ela fica mais simpática deste lado.

— E fica?

Nanu voltou a endireitar a cabeça.

— Não. Ela pensou, pensou, pensou e depois pensou, pensou, pensou até que começou a desenhar um desenho que mostrasse a verdadeira beleza da princesa.

A princesa transformada na Monstra Mostrenga
Parte 5 de 11

A Monstra Mostrenga

Amanheceu. Ellie entregou o desenho ao rei. Não, não podia ser! Era inacreditável. O rei não queria acreditar naquilo que estava a ver. Ouviu-se um grito. A princesa tinha acordado e tinha-se transformado num… vocês que estão a escutar esta história querem ver o desenho que a Ellie fez? De certeza? Têm coragem para ver o desenho? Está aqui o desenho da Ellie.

A Princesa agora era a Monstra Mostrenga, igualzinha ao desenho da Ellie. O rei estava furioso. A princesa estava monstruosamente zangada. O rei estava tão furioso que decidiu que iria castigar todas as crianças do mundo.

– A partir de agora, nenhuma criança poderá mais desenhar ou ler livros. Vou destruir todos os livros e não vai ser permitido a ninguém desenhar mais — disse o rei robot que estava tão zangado que começou a ganhar ferrugem.

— Não, por favor… — suplicou Ellie.

Nanu ouviu um pequeno rangido quando o rei levantou o braço.

— Ellie — sussurrou —, ele está a precisar de óleo.

— Eu ouvi! — gritou o rei.

O outro braço rangeu também.

— Pode ser que desista das minhas intenções se o livro que está em branco ficar totalmente desenhado até ao pôr do sol! — disse o rei.

— Mas nós os dois não conseguimos. São muitas páginas! — disse Ellie.

Nanu abriu o livro, contou umas folhas e desistiu de contar.

— E ainda têm o outro lado.

— É a única solução. Tens de o fazer! — respondeu o velho rei às súplicas de Ellie.

O Capitão Fortalhudo atende o telefone
Parte 6 de 11

Precisamos de ti

Ellie ficou muito triste porque por sua culpa as crianças não poderiam mais desenhar e ler histórias. Mas lembrou-se que poderia pedir ajuda à criança que neste momento está a ler esta história, ou seja, tu. Sim, tu, meu amigo. Queres ajudar a Ellie e o Nanu? Precisamos da ajuda de uma criança como tu. Vamos ajudá-los a desenhar e encher este livro de desenhos mágicos, bonitos e giros. Então, estás pronto para uma grande aventura?

Mas vamos precisar de ajuda... Vou telefonar ao Capi... — a leitura desta história foi subitamente interrompida por um jornalista que queria noticiar um acontecimento muito importante.

“Interrompemos a leitura deste conto para anunciar que a Ellie e o Nanu vão ter ajuda de uma criança. Esta criança corajosa, valente vai ajudar todos os meninos e meninas da terra a terem histórias e livros para desenhar. Mas também vai ter a ajuda do Super Herói, o Destemido, o Forte, o Único, o Capitão Fortalhudo do Barco dos Sonhos. “

— Mas tu importas-te de te calar? — perguntou o narrador da história.

— Porquê?

— Porque eu preciso de telefonar. E tu estás a ser um grande chato — respondeu indignado o narrador.

— Mas... Eu não sabia. Desculpa! — disse o jornalista.

— Não faz mal. Estás desculpado. Como estava a dizer, vou telefonar para o Capitão Fortalhudo. — o narrador da história marcou o número do Capitão Fortalhudo — Sim. Olá. Daqui fala o Narrador da História.

— Sim. Sim. Olha eu estou na casa de banho... Espera só um bocadinho. — Respondeu o Capitão Fortalhudo.

— Sim? Já está?

— Espera mais um bocadinho. Tenho ainda que tomar um banho. Estou todo sujo porque estive a lutar contra um tubarão e dois douradinhos. Já estou pronto. Em que te posso ajudar? — perguntou o Capitão Fortalhudo.

— Podes passar pela terra e ir buscar uma criança que nos vai ajudar?

— Sim. Claro. Vou já para aí — respondeu o Capitão Fortalhudo.

O Barco dos Sonhos e a sua tripulação
Parte 7 de 11

O Barco dos Sonhos

O Capitão Fortalhudo desligou a chamada, entrou no barco dos sonhos e partiu rumo ao Planeta Terra.

Entretanto, Ellie e Nanu ficaram à tua espera, junto do livro.

— Achas que demora? — perguntou Nanu.

— Depende de onde estiver a criança.

Nanu aproximou-se da página e espreitou.

— Está aqui mesmo.

— Então afasta-te um bocadinho. Assim não a deixas ler.

— Olá criança. Eu sou o capitão Fortalhudo e este é o barco dos sonhos que vem do reino da fantasia, da esperança, onde as crianças sonham e onde tudo é possível. Entra no barco mas primeiro quero-te apresentar os meus amigos. Este é o cãozinho Fofinho. É muito mansinho e meigo. Aqui está o Zé Dorminhoco. Acorda Zé! E também temos a linda Maria Beijoqueira. Tens de ter cuidado porque ela está sempre a dar beijinhos. E finalmente temos os irmãos gémeos João Ri e a Joana Chorona. E é claro que também temos na nossa tripulação, o Rato Arroto.

Esta é a fantástica tripulação do barco dos sonhos. Zé acorda! Põe o barco a funcionar. Temos um problema: o barco não está a navegar. O Zé informou-nos que não temos gasolina ou que o barco está avariado. A gasolina está muito cara e não temos dinheiro para comprar mais. O que vamos fazer? Deixa-me pensar um bocadinho. Podemos tentar uma frase mágica. Que tal: “ O Capitão Fortalhudo é o maior”. Vamos dizer todos juntos: “ O Capitão Fortalhudo é o maior. “

Vamos ver então se o barco ficou arranjado. Penso que ainda não está a funcionar. Vamos ter de tentar da maneira mais difícil e precisamos da tua ajuda. Apenas o poder da imaginação tem a magia para conseguir que este barco possa voar.

Para o barco funcionar, tens de fechar os olhos e imaginar que o barco dos sonhos está a voar, muito alto, no meio das estrelas, das nuvens. Para te ajudar, vou tocar uma musiquinha que foi escrita por uma sereia de duas caudas. Gostas? Não? Esta música não serve.

Vou tocar a música certa. Peço que ouças esta música com os olhos fechados e que imagines que estás no espaço, no meio das estrelas e vês planetas, mundos infinitos e que estás solto e podes voar.

E conseguimos! Finalmente! O barco já funciona. Estamos a voar graças a ti e estamos em grande velocidade. Sem ti não teríamos conseguido. Tu és especial.

Mas … Mas isto está muito complicado. Está tudo cheio de naves espaciais. Assim, nunca mais chegamos ao livro.

A viagem até ao planeta bolacha
Parte 8 de 11

O planeta bolacha

Ali está a nave galinha. Consegues ver porque está cheia de penas e está sempre a atirar ovos. Mas eu tenho uma solução: Basta atirar milho e elas vão embora. Muito bem. Resultou! Já podemos continuar.

O que é aquilo? Estás a ver amigo? É uma maravilha. É o planeta bolacha. Vamos até lá. Não resisto. Tem bolachas de chocolate, de baunilha… Mas isto é uma armadilha. Caímos dentro de uma ratoeira. Foram os ratos. E agora como vamos escapar? Já sei. Vamos acionar o gato bomba espacial.

As formigas piratas perseguem o Barco dos Sonhos
Parte 9 de 11

Os piratas do espaço

Muito bem. Estamos quase a chegar. Mas o que é aquilo? É a nave espacial das formigas. São os piratas do espaço. Vão disparar contra nós.

— Comandante. Fomos atingidos — disse o Rato Arroto.

— Cuidado. Vamos cair. Agarra-te. Põe o cinto de segurança. — gritou o Capitão Fortalhudo.

O livro encantado, o arco-íris e os amigos à tua espera
Parte 10 de 11

À porta do livro encantado

— Caímos, mas estamos todos bem. Tu estás bem? Ótimo. Nós também. Onde estamos? Que sorte. Estamos junto da porta do livro encantado. Vamos bater à porta.

— Olha é a Princesa Monstra Mostrenga. Podemos entrar? — perguntou o Capitão Fortalhudo.

— kjkj dkhd lojd çjd — disse a princesa.

— Tu entendeste alguma coisa? Eu também não. Acho que podemos entrar… Que lugar maravilhoso. Não é... Tem um arco-íris de cores tão lindas e está tudo rodeado de bolinhas de sabão. Mas onde está o livro, princesa? — perguntou o Capitão Fortalhudo.

— kjkj soiso jkjkjkh — respondeu a princesa.

— Acho que ela está a dizer que temos de descer o arco-íris. Estás preparado? Muito bem. Vamos então descer. E agora entramos dentro do livro. Que fiiixxxeeee! Não te posso mais acompanhar. A partir daqui, só podem entrar as crianças.

Ellie e Nanu apareceram ao fundo da página.

— Chegaste! — disse Ellie.

Nanu aproximou-se do Capitão.

— Eu também posso ficar?

— Tu já cá estás — respondeu o Capitão.

Nanu olhou para as patas, bem assentes na página.

— Pois estou.

E afastou-se da porta antes que alguém se lembrasse de o mandar sair.

— Então, como eu estava a dizer — continuou o Capitão. Nas próximas páginas terás de desenhar com o teu coração e alma. Mas não te preocupes, em cada página, eu vou-te dar uma ajudinha. Vou também pôr uma música para que ela inspire os teus desenhos. Preparado? Altamente. A aventura vai começar.

O livro abre as portas à tua imaginação
Parte 11 de 11

Agora entras tu

Ellie abriu espaço ao teu lado. Nanu espreitou as páginas que ainda faltavam.

— Podemos começar por esta — disse ele.

— Estás a apontar para duas — reparou Ellie.

Nanu levantou uma pata.

— Então por esta.

Agora és tu. Podes desenhar, rabiscar e inventar à vontade. E, se o teu desenho tiver uma história para contar, podes escrevê-la ou contá-la a alguém que a escreva contigo. A música pode acompanhar-te, como prometeu o Capitão.

Agora és tu. Há 39 páginas à espera das tuas ideias.